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VOCÊ CONHECE A ANÁLISE FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO?

O solo é base primordial da agropecuária, fornecendo sustentação, água e nutrientes para as plantas.

A importância da análise química do solo já é uma prática bem difundida entre os agricultores.

            E, como mencionamos em nosso texto “Os limites de produtividade podem estar além das análises químicas”, analisar as características físicas e biológicas do solo podem garantir maiores produtividades.

Mas você conhece a Análise Físico-hídrica do solo?

            A análise físico-hídrica dos solos avalia as capacidades de aeração e de hidratação dos solos paras as raízes, e pode ser um grande aliado no manejo sustentável da lavoura.

Acompanhe a seguir para descobrir do que se trata essa análise.

ANÁLISE FÍSICO-HÍDRICA DO SOLO

A análise físico-hídrica do solo, como o próprio nome sugere, leva em consideração as características físicas do solo e sua dinâmica com a água do solo.

Como mencionamos, são avaliadas as as capacidades de aeração e de hidratação dos solos paras as raízes, determinando parâmetros de capacidade de campo, ponto de murcha permanente e velocidade de infiltração de água no solo.

Por meio da análise Físico-Hídrica do solo, é possível determinar a saúde física desse solo, quantificando a sua composição com base alguns parâmetros importantíssimos que irão condicionar o fluxo de ar e água entre os poros, tais como:

  • Textura;
  • Porosidade e estrutura do solo;
  • Capacidade de retenção de água.

Com base nos resultados dos parâmetros estabelecidos pela análise Físico-Hídrica, é possível determinar se as condições de aeração e de estrutura do solo estão boas ou ruins, o que é de fundamental conhecimento para o produtor rural para medidas corretivas, ajudando-o extrair o melhor desempenho para lavoura.

            Além disso, é possível garantir um melhor manejo da água no solo.

            Assim, quando pensamos em lavouras irrigadas a análise fisico-hídrica é essencial para garantir que o produtor está adicionando água nas quantidades adequadas para o solo e para a cultura.

Para entendermos melhor as relações Físico-hídricas do solo, precisamos conhecer os conceitos de física do solo envolvidos nessa dinâmica.

ANÁLISES FÍSICAS DO SOLO

TEXTURA DO SOLO

Antes de explicar sobre a análise Físico-Hídrica do solo, vamos primeiro falar sobre os atributos físicos do solo.

De maneira geral, os solos são compostos por partículas minerais de diferentes tamanhos e formas, além de gases, água, matéria orgânica e organismos vivos (microrganismos, insetos, minhocas, entre outros).

As partículas minerais consistem entre 30 e 50% da composição do solo, essa proporção de material mineral deve variar de acordo com o tipo de solo, sendo menor em Latossolos do que em Argissolos, por exemplo. Além disso, essas partículas são classificadas de acordo com seu tamanho. Partículas maiores de 2,0 mm são chamadas de cascalho, enquanto partículas menores de 2,0 mm compõem a chamado terra fina, sendo formado por areia, silte e argila.

Como já mencionamos no texto “Os limites de produtividade podem estar além das análises químicas”, a proporção entre as partículas de areia, silte e argila irão determinar a textura do solo.

Vale ressaltar que fatores de formação do solo, como o material de origem e grau de intemperização, utilizados para classificar o perfil do solo, influenciam na proporção entre as partículas.

Assim, rochas ricas em quartzo por exemplo dão origem a solos mais arenosos, enquanto rochas básicas dão origem a solos argilosos.

Além disso, solos mais jovens e, portanto, menos intemperizados, tendem a ter mais areia e silte.

Como já mencionamos, a classe textural deve ser levada em consideração para o manejo do solo, e como solos argilosos estão mais propensos a compactação, e perdas de produtividade decorrentes da mesma, por exemplo.

POROSIDADE DO SOLO

A porosidade total do solo é uma relação entre os volumes dos poros e o volume total de solo.

Porém, não podemos nos esquecer que existem diferentes tamanhos de partículas minerais e matéria orgânica formando o solo.

Assim, a porosidade do solo está relacionada com o tamanho dos poros, que por sua vez estão relacionados com as proporções entre as partículas minerais e a matéria orgânica do solo.

Os poros podem ser formados então pelas partículas minerais, pela estrutura do solo entre os agregados, e também os chamados bioporos, que são formados por raízes e microrganismos.

Os poros são ocupados por água, ou Solução do Solo (água mais íons de potássio, cálcio, magnésio, entre outros) e gases (N2, O2, CO2, vapor d’água, etc). Assim, os poros exercem papel fundamental na sobrevivência das plantas e microrganismos, forncendo água, nutrientes e gases para respiração.

Os poros do solo podem ser classificados de acordo com seu tamanho:

  • Macroporos – diâmetro maior do que 0,08 mm
  • Mesoporos – diâmetro entre 0,03 e 0,08 mm
  • Microporos – diâmetro menor do que 0,03 mm
  • Criptoporos – diamêtro menor do que 0,002 mm

As diferentes proporções entre as partículas minerais, que determinam a textura do solo irão influenciar diretamente em sua porosidade.

Assim, solos arenosos apresentam mais macroporos, enquanto solos mais argilosos apresentam mais microporos.

ESTRUTURA DO SOLO

E você já ouviu falar em agregado de solo? Torrão de solo?

            Estes são termos relacionados a estrutura do solo.

            De maneira geral a estrutura do solo envolve a relação entre as partículas minerais e a matéria orgânica do solo, e os espaços formados por essa relação, ou seja, pelo arranjo espacial entre essas partículas.

Dependendo das proporções entre os componentes da estrutura do solo, teremos unidades estruturais de tamanhos diferentes.

As substâncias orgânicas presentes no solo são os principais agentes cimentantes que agrupam as partículas formando os chamados agregados do solo, enquanto que vários agregados que são facilmente separados uns dos outros formam um torrão de solo.

Dessa maneira, solos com maiores teores de matéria orgânica apresentam maiores agregados, sendo mais estruturados que solos com pouco matéria orgânica.

Isso irá influenciar na porosidade do solo, e também na resistência a sofre erosão e compactação, por exemplo. Por isso é tão importante investir em matéria orgânica e na construção do perfil do solo.

            Por fim, não podemos deixar de falar sobre a densidade do solo.

            A densidade do solo é definida pela razão entre a massa de solo seco e o volume de solo.

Seus valores geralmente variam entre 1,0 e 2,0 g/cm3, e estão diretamente relacionados com a sua estrutura e composição química e granulométrica.

            Vale ressaltar que este é um dos parâmetros afetados pela compactação do solo, e prejudicada pelo manejo incorreto do tráfego de máquinas agrícolas.

            Agora que já vimos os parâmetros físicos do solo envolvidos na análise fisico-hídrica, vamos falar um pouco sobre a relação da água do solo e as práticas de manejo que essa análise auxiliam.

RELAÇÃO DA ÁGUA NO SOLO

Como vimos acima, cada tamanho de poro exerce uma função no solo.

Assim, a relação entre as proporções desses poros, ou seja, a porosidade do solo, irão influenciar na disponibilidade de água para as plantas.

Dependendo da umidade do solo, a água ficará retida com maior ou menor força.

Quando o solo está seco os poros estão ocupados predominantemente por ar, e a água estará principalmente retida nos criptoporos, e assim, indisponível para as plantas.

Já no solo saturado, a água ocupa todos os poros e fica fracamente retida, sendo facílmente drenada, chamada de água gravitacional, e não há aeração.

Para cada textura e estrutura de solo irá existir uma condição ótima de umidade para as plantas na qual a água é disponível e a aeração, adequada.

A faixa de umidade do solo entre os pontos de saturação dos poros e a indisponibilidade de água, compõe o que chamamos de capacidade de campo, e é a faixa de umidade em que a água está disponível para as plantas.

Conforme a umidade vai diminuindo, fica mais difícil paras as plantas reporem a água perdida por evapotranspiração. O limite inferior de disponibilidade de água é o que chamamos de Ponto de Murcha Permanente. A partir deste ponto, a cultura estabelecida em campo já não consegue absorver água, e caso não haja reposição de água por chuva ou irrigação, os danos causados pelo estresse hídrico podem ser irreversíveis.

Outro fator importante é a velocidade de infiltração básica. Isso porque a velocidade com que a água infiltra no solo está relacionado com a disponibilidade de água e com a saturação do solo.

Solo de maior infiltração podem secar mais rapidamente e ter problemas com lixiviação. Já solos com infiltração muito lenta podem se manter saturados por muito tempo e apresentar problemas de hipoxia e anoxia das raízes, ou seja, estresse por falta de oxigenação.

Vale ressaltar ainda que a capacidade de retenção de água no solo é baseada na interação entre os elementos minerais do solo, além de ar, água, matéria orgânica e microrganismos. Quando avaliamos solo de texturas diferentes, teremos uma CAD diferente, o que exige um manejo diferenciado.

DINÂMICA FÍSICO-HÍDRICA DOS SOLOS

            Como vimos, as características físicas vão afetar a capacidade de retenção de água no solo, e sua disponibilidade para as plantas.

            Pensando nas funções dos diferentes tamanhos de poros, podemos inferir as consequências e manejos para lidar com o excesso ou falta de cada um deles.

Os macroporos são responsáveis pela aeração e drenagem do solo, e pela condução da água durante a infiltração. Além disso, é onde se encontrão raízes e alguns organismos do solo.

Solos com poucos macroporos deverão apresentar baixa velocidade de infiltração e aeração, o que irá limitar o crescimento e respiração de raízes e microrganismos benéficos.

Por outro lado, solos com excesso de macroporos terão menor capacidade de retenção de água devido a alta velocidade de infiltração, o que o torna mais suscetível ao estresse hídrico e a lixiviação de nutrientes.

            Os mesoporos são responsáveis distribuir a água dos macroporos e pelo movimento da água por capilaridade, além de ser habitat de raízes finas e fungos.

            Por sua função estar diretamente relacionada as quantidades de macroporos, as consequências de falta ou excesso daqueles são mais acentuadas e portanto são mais analisadas.

            Os microporos são responsáveis por armazenar água disponível para as plantas, ou pela famosa CAD.

            Dessa maneira, grandes quantidades de microporos é uma característica benéfica para o armazenamento de água no solo, desde que esse microporos não estejam ocorrendo por compactação dos macroporos do solo.

            Por outro lado, baixas porcentagens de microporos resultam em solo com menor capacidade de retenção de água, e portanto suscetíveis ao estresse hídrico.

            Já os criptoporos estão presentes principalmente em solos argilosos, e retem água não disponível para as plantas.

            Assim, o excesso de criptoporos é indesejável pois além de não fornecer água para as plantas, esses poros podem deixar a secagem do solo mais lenta, atrasando a entrada de máquinas na área após chuvas intensas, dificultando o manejo do tráfego de máquinas.

            O manejo para reduzir as consequências de excesso ou falta de diferentes tamanhos de poros do solo estão relacionadas em alguns casos com processos mecânicos como escarificação e subssolagem, além do controle no tráfego de máquinas.

            Outro manejo bastante recomendado é a rotação de culturas com raízes de diferentes comprimentos e formados (pivotantes e fasciculadas), que irão abrir bioporos ao logo do solo.

E como vimos ao longo do texto, técnicas de manejo sustentáveis que aumentem a presença de matéria orgânica e de microrganismos devem contribuir para a estrutura do solo e assim para sua capacidade de retenção de água, proporcionando mais água ao longo do ciclo das culturas e menor risco de perdas por estresse hídrico. Pensando em Agricultura de Precisão, é possível aplicar essas variações aos mapas para ter melhor assertividade na tomada de decisão, além da aplicação de técnicas diferenciadas como a determinação de zonas de manejo.

Por fim, conhecer as características físicas e hídricas do solo ajudam a entender como determinados fenômenos ocorrem nesse solo e de que maneira eles impactam na produtividade da sua lavoura.

Por: Dra Jéssica PQ Barcelos

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