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TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A IMPORTÂNCIA DO POTÁSSIO NA CULTURA DA SOJA, E SE É POSSÍVEL ECONOMIZAR NA APLICAÇÃO DO ADUBO

A cultura da soja é uma das principais commodities agrícolas produzidas no mundo, e daí percebemos sua importância.

Do resultado final da colheita no campo, mais de 90% da produção acaba sendo processado como complexo de soja, que é composto por grãos, farelo e o próprio óleo. Enquanto os grãos inteiros são destinados principalmente para alimentação humana, os subprodutos, óleo e farelo de soja, são destinados principalmente para formulação de ração animal.

O Brasil é um país de destaque na produção dessa commoditie!

De acordo com a projeção realizada em maio pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção mundial de soja para a safra 2021/22 deverá atingir aproximadamente 395 milhões de toneladas.

Enquanto a produção brasileira está estimada em 149 milhões de toneladas para essa safra, o que coloca o país mais uma vez como maior produtor mundial.

Somos destaque também em produtividade.

A produtividade brasileira é estimada em 3,55 toneladas por hectare (t/ha), enquanto os Estados Unidos, segundo maior produtor mundial, apresenta produtividade estimada de 3,46 t/ha.

Essa alta produtividade é atingida graças as condições climáticas e excelente manejo realizado pelos agricultores brasileiros.

Isso não significa porém que os produtores não enfrentem desafios na produção da leguminosa no Brasil.
Entre os principais desafios enfrentados ultimamente, podemos destacar a alta nos preços de fertilizantes.

Sendo o Cloreto de Potássio (KCl) o fertilizante mais requerido para a cultura, e também um dos que mais teve seu preço aumentado nos últimos tempos.

E será que é possível racionalizar a aplicação desse fertilizante?
Acompanhe a seguir.

RELAÇÃO ENTRE O CUSTO DO FERTILIZANTE E A PRODUTIVIDADE DA SOJA

No último levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA-Esalq/USP, o preço médio de negociação de KCl em março no Brasil foi de R$ 6.171,50 a tonelada.

Esse valor representa um aumento de 24,9% em relação a negociação de fevereiro deste ano, e de 153,6% com relação a negociação do mesmo período no ano passado.

Como mencionamos no texto sobre a alta dos fertilizantes, o aumento no preço ja vinha sendo sentido no Brasil devido a alta do dólar, mas essa situação de agravou com o conflito entre Rússia e Ucrânia.

No caso da cultura da soja, por se tratar de uma commoditie, a alta do dólar não é lá um grande problema. Isso porque grande parte da nossa produção é exportada, e portanto o preço pago por sacas de soja é aumenta coma valorização do dólar. Para se ter noção, no mês passado, a saca de soja chegou aser negociada a R$ 200,00 no Porto de Rio Grande, o que é considerado animador para o setor.

Se observarmos a safra 2020/2021, antes da Guerra da Ucrânia, o cenário era favorável para a relação de troca entre soja e fertilizante KCl, ou seja, o poder de compra do produtor foi a segunda melhor da década.

Em Cascavel, por exemplo, eram necessárias 18,7 sacas de soja para comprar uma tonelada de KCl. Atualmente, considerando a última cotação de saca de soja em 15 de maio em Cascavel de R$ 190,50, e a negociação média da tonelada de KCl de R$ 6.171,50 a tonelada, seriam necessárias 32,5 sacas de soja para aquisição de 1 tonelada de KCl, uma das maiores médias nos últimos 10 anos.

Fonte: CEPEA, via Canal Rural 2020.

Ainda segundo o CEPEA, o conflito entre Rússia e Ucrânia também impulsionaram o valor do barril de petróleo, o que influencia o custo da operação mecânica, e consequentemente o custo de produção operacional efetivo médio (COE).

O COE estimado em março de 2022 para a soja aumentou, em média, 12,7% frente ao orçado em fevereiro, sendo necessária uma produtividade de 33,1 sacas de soja por hectare em março para nivelamento do COE.

Mesmo com os aumentos, segundo análise do CEPEA, a produtividade de nivelamento para a oleaginosa ainda apresenta margem para saldar a depreciação e juros sobre capital investido na maior parte das regiões.

Porém, em algumas regiões, o restante dessa margem é insuficiente para cobrir o valor do arrendamento.

No estado do Mato Grosso, por exemplo, os custos com fertilizantes representaram 47% dos custos de produção da soja nessa safra.
E ai fica a dúvida, será que é possível racionalizar a aplicação de KCl?

QUAL O PAPEL DO POTÁSSIO PARA A SOJA?

Pensando em nutrição da soja, depois do nitrogênio (N), o potássio (K) é o nutriente que a soja mais remove do solo.

Porém, diferente do N que, no caso do Brasil, é fornecido através da Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), e portanto independe de fertilizante, no caso do K, o fornecimento é dependente da sua disponibilidade no solo e da aplicação de fertilizante.

Para cada tonelada de soja produzida são exportados ao redor de 18 kg de potássio.

Na cultura da soja, disponibilizar o potássio de maneira adequada, significa favorecer o aumento de nodulação e dos componentes de produção, além de tornar a planta mais resistente estresse biótico e abiótico.

Entre vários papéis desempenhados pelo K na cultura da soja, vale destacar algumas funções que são cruciais para o desenvolvimento da planta, como por exemplo:


• Movimentos estomáticos;
• Ativação enzimática;
• Fotossíntese;
• Síntese proteica;
• Crescimento celular;
• Regulação do potencial hídrico;
• Melhoria na qualidade dos frutos e flores;
• Amenização de estresses bióticos e abióticos.

Por outro lado, a falta ou indisponibilidade de K irá prejudicar o crescimento da planta, pois irá comprometer todo o desenvolvimento da soja que não será capaz de produzir as proteínas necessárias para alcançar o pleno desenvolvimento.

Como o K possui alta mobilidade dentro dos tecidos vegetais, a ausência na planta é facilmente notada, sendo os primeiros sintomas apresentados nas folhas mais velhas, levando a necrose nas suas pontas e nas margens levando a queda.

Os efeitos de sua deficiência são visuais, isto significa produtividade da sua cultura no campo já está comprometida, e sem dúvida isto irá refletir em prejuízos.

Elencamos as principais consequências da deficiência de potássio na soja:


• Clorose nas bordas das folhas;
• Necrose e queda das folhas;
• Grãos pequenos e deformados;
• Baixo vigor e baixo poder germinativo dos grãos;
• Vagens chocas;
• Atraso na maturação da planta;
• Hastes verdes;
• Retenção foliar.

Fonte: Ingbert Döwich via Polysulphate informe, 2022.

Pensando em adubação da soja com KCl, pode ser observado até 31% de acréscimo de produtividade da soja com um correto manejo do fertilizante.
Porém vários fatores devem ser levados em consideração antes de aplicar altas doses de KCl na soja.

Em primeiro lugar, devemos levar em consideração a dinâmica do K no solo.

O íon K+ fica disponível nos coloides do solo, e entra em contato com a raiz através de Fluxo de Massa, ou seja, através da movimentação da água do solo. Sendo portanto um elemento considerado bastante móvel no solo.

Fonte: MOSAIC

Veja que o sucesso da cultura no campo está ligado ao manejo correto do produtor, não deixando faltar os nutrientes necessários para o desenvolvimento da cultura ao longo de seu ciclo. Para isto é fundamental que haja um monitoramento das condições de fertilidade do solo, pois é por meio dessas análises que será possível avaliar o real estado nutricional e auxiliar nas tomadas de decisão.

MAS E AI, SE EU ECONOMIZAR NA APLICAÇÃO DE K O QUE PODE ACONTECER COM MINHA PRODUTIVIDADE?

Diversos estudo demonstram que a produtividade aumenta com o aumento de doses de KCl.

O problema em se aplicar grandes quantidades de KCl, sem levar em consideração a CTC do solo e o equilíbrio de bases, é que o excesso de K poderá lixiviar, sendo perdido ou poderá causar fitotoxidez a planta.
Assim, devemos levar em consideração dois índices principais:


• Máxima Eficiência Técnica (MET)
• Máxima Eficiência Econômica (MEE)

A MET está relacionada com a dose de fertilizante onde a produtividade deixa de aumentar, e passa a ser reduzida. Isso porque o excesso de fertilizante passa a ser tóxica para as plantas, levando a redução da produtividade.

Já a MEE leva em consideração o preço do fertilizante e o preço da soja.

Dessa maneira, Petter e colaboradores, fizeram um trabalho avaliando o aumento de produtividade da soja em função de doses de K (expressas em K2O). Neste trabalho, observaram que o MET foi atingido para uma dose de 97 kg/ha enquanto que o MEE foi atingido em uma dose de 88 kg/ha.

Fonte: Petter et al., 2012

No geral, os valores de MET e MEE vão variar de acordo com a fertilidade do solo e histórico da área, genética da soja que está sendo utilizada, condições climáticas de desenvolvimento da cultura, entre outros fatores.

O que vale ressaltar, é que não deve ser levado em consideração apenas o aumento de produtividade adquirido pela aplicação de alta dose do fertilizante, mas também a viabilidade econômica em se aplicar essas doses.

Esse raciocínio se torna ainda mais importante nos tempos atuais, com a elevação nos preços dos fertilizantes.

E assim, voltamos a pergunta:

É possível economizar na aplicação de fertilizante?

Como vimos anteriormente, o K é bastante importante para a produtividade da cultura da soja. Porém, existem faixas de ganhos de produtividade com a adubação que compensam economicamente, e outras não.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja Adilson de Oliveira Jr., em áreas tradicionais de cultivo de soja e milho, onde a fertilidade do solo já está bem construída, é possível sim reduzir as doses de fertilizantes aplicadas, devido a reserva de nutrientes do solo.

Porém, segundo o pesquisador, em áreas novas de cultivo, principalmente incorporadas sobre áreas de pastagens degradadas, com baixa fertilidade do solo, é necessário tomar cuidado com a racionalização do fertilizante para evitar prejuízos.

Em todos os caso ele ressalta que a prática de análise de solo precisa ser valorizada, principalmente com amostras representativas dos talhões da propriedade. “Quem é o fiel da balança é a análise do solo ao indicar se é possível reduzir e o quanto se pode reduzir na adubação”, destaca Oliveira Jr.

Assim, podemos concluir que o mapeamento da fertilidade do solo é um grande aliado para a correta tomada de decisão, já que somente através dos parâmetros de análises química e física solo será possível decidir assertivamente sobre quanto é possível reduzir na aplicação de fertilizante sem afetar a produtividade da soja.

Por: Dra Jéssica PQ Barcelos

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