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Os limites de produtividade podem estar além das análises químicas

O solo é sem dúvida um dos principais componentes responsáveis pelo desenvolvimento e sucesso de uma cultura no campo.

Afinal, é a partir do solo que as plantas absorvem água e nutrientes que vão garantir a produtividade da lavoura.

Para avaliar o potencial produtivo do solo, devemos nos atentar a sua fertilidade.

Entretanto, quando falamos em fertilidade do solo, muitas vezes sua caracterização fica limitada a avaliações químicas, que determinam por exemplo, o pH do solo e os teores disponíveis de cada elemento.

Acontece que outros atributos físicos e biológicos do solo também são limitantes do seu potencial produtivo, e portanto determinantes para uma boa avaliação de fertilidade.

Você sabe quais atributos físicos e biológicos do solo podem estar limitando a produtividade da sua lavoura? Confira a seguir:

Atributos Físicos

Dentre os atributos físicos que afetam a fertilidade do solo podemos dar destaque a textura do solo, compactação e relevo.

A textura do solo é definida pela proporção entre diferentes os tamanhos de partículas que o compõem, classificadas em Argila, Silte e Areia.

A porcentagem entre cada um deles vai determinar a classe textural do solo, como demonstrado no triângulo textural abaixo.

E porquê determinar a classe textural do solo é importante?

Em primeiro lugar, solos muito argilosos, solos de textura média e solos arenosos apresentam diferentes porosidade, que por sua vez vão afetar fatores como aeração do solo, taxa de infiltração e capacidade de retenção de água.

            Esses fatores vão interferir, por exemplo, na absorção de água e nutrientes pelas plantas, bem como no risco de erosão ou compactação do solo.

Enquanto um solo mais arenoso possui maior drenagem que um solo argiloso, este estará mais propenso a sofrer processo de erosão.

Por outro lado, enquanto o solo argiloso apresenta maior retenção de água que o solo arenoso, o solo argiloso apresentará maior dificuldade para mecanização, dependendo da umidade do solo, e ainda estará mais propenso a sofrer compactação.

            Além disso, solos de textura arenosa possuem menores valores de matéria orgânica e menor capacidade de troca catiônica (CTC) quando comparado a um solo de textura argilosa.

Esses fatores são, portanto, determinantes para definir estratégias de manejo como a decisão sobre parcelamento da aplicação de fertilizantes para evitar perdas por lixiviação em solos arenosos, ou a umidade correta para entrada de maquinários agrícolas em áreas com solos argilosos para evitar a compactação do solo.

Pensando na produtividade da lavoura, a compactação do solo é uma das características mais interfere no desenvolvimento das plantas.

Um solo compactado apresenta uma barreira física que dificulta o crescimento das raízes, afetando diretamente a capacidade de absorção de água e nutrientes pelas plantas, e, consequentemente, afetando o crescimento e a produtividade das culturas.

Trouxemos aqui dois exemplos de trabalhos científicos demonstrando como o aumento na compactação do solo afeta a produtividade das culturas.

Ambos os trabalhos demonstraram que a medida que a compactação do solo aumentava a produtividade da soja diminui, chegando reduzir em mais de 1 tonelada (Mg/ha) a produtividade de grãos de soja quando a resistência à penetração do solo atingiu 4 MPa.

Outro fator associado ao atributo físico do solo que compromete a produtividade agrícola é a variação do relevo da área.

Solo com microrrelevo irregular podem apresentar por exemplo, dificuldades para trânsito de máquinas e manejo, afetando a produtividade na região onde ocorre a irregularidade.

A exemplo, temos o trabalho de Quirós et al. (2017).

Nele os autores observaram que áreas com microrrelevos irregulares apresentavam menor produtividade para a cultura do arroz irrigado, como demonstrado no mapa de produtividade à esquerda mapa. Assim, foi feito um trabalho de sistematização de manejo da área, o que garantiu o aumento da produtividade nas zonas de irregularidade de microrrelevo, que antes apresentavam baixas produtividades.

Atributos Biológicos

Em se tratando dos fatores referentes aos atributos biológicos do solo que interferem na produtividade da lavoura, destaca-se a presença de nematoides.

Os nematoides são organismos parasitas das raízes das plantas, dificilmente vistos a olho nu.

Os sintomas nas plantas são muito parecidos com sintomas de deficiência de nutrientes, como folhas amareladas, que apresentam menor crescimento e lesão nas raízes. Porém com um diferencial, esses sintomas geralmente ocorrem em reboleiras.

Dentre os principais gêneros podemos citar o Meloydogyne, também conhecido como nematoide das galhas, Pratylenchus, reconhecido por causar lesões radiculares, Heterodera, mais conhecido como nematoide do cisto da soja, entre outros gêneros.

Como ocorrem em reboleiras, avaliação de imagens de índice de vegetação da área, podem ser grandes aliadas.

A diagnose é feita através de análise de solo e raízes com amostras coletadas nas camada de 25-30 cm.

Os danos causados por nematoides no país chegam a de cerca de R$ 35 bilhões por ano, de acordo com a Sociedade Brasileira de Nematologia (SBN).

O manejo envolve a limpeza de máquinas e implementos agrícolas, uso de mudas sadias ou cultivares resistentes ou tolerantes, controle biológico e controle químico com ação nematicida, e rotação de culturas com espécies não hospedeiras.

Sendo que os produtos utilizados para controle dos nematoides apresentam registro para a cultura agrícola e para a espécie de nematoide identificada.

Por isso, o correto reconhecimento da ocorrência de nematoides na lavoura, com identificação da espécie, é tão importante para direcionamento do manejo.

Outro atributo biológico ainda pouco utilizado é a análise microbiológica do solo, com destaque atividade enzimática do solo.

Esta é uma análise que vai indicar a qualidade do solo, principalmente os fatores que afetam a qualidade da Matéria Orgânica do solo, tão importante para estrutura física e química do solo.

Dentre os parâmetros obtidos na análise microbiológica do solo nós temos o carbono da biomassa microbiana, a respiração basal e quociente metabólico, além da atividade das enzimas β-glucosidase, arilsulfatase e fosfatase ácida.

Esses parâmetros, de maneira geral, estão relacionados as atividades metabólicas, de ciclagem de nutrientes e de decomposição da matéria orgânica.

Comumente utilizadas enzimas ligadas ao ciclo do Carbono (C) e dos macronutrientes, Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Enxofre (S).

Em resumo, as avaliações são indicadores de como o manejo da lavoura está influenciando a atividade dos microrganismos do solo e como sua atividade vai afetar a matéria orgânica do solo.

Vale destacar que a análise microbiológica é mais sensível que a análise química do solo, e pode auxiliar o agricultor para um manejo mais sustentável da lavoura.

Sabemos que a matéria orgânica do solo é essencial para a ciclagem de nutrientes, estrutura do solo e potencial de retenção de água, influenciando inclusive na manutenção da CTC do solo, e consequentemente na produtividade das culturas.

Essa relação entre a análise microbiológica e a produtividade das culturas foi demostrado no artigo científico publicado por Aguillera em 2020. Nesse trabalho, áreas com maiores índices dos indicadores biológicos (IQMS-Enzimas) relacionados por exemplo a atividade das enzimas β-glucosidase e arilsulfatase, apresentaram também maiores produtividades para a cultura da soja, como demostrado a baixo.

Conclusão

            Embora seja de extrema importância, a análise química do solo não deve ser a única considerada para a correta avaliação de fertilidade do solo.

            A inclusão de outras análises como de classe textural do solo, identificação de compactação e irregularidades de microrrelevo, bem como análises de ocorrências de nematoides e análises microbiológicas do solo podem auxiliar o produtor para um manejo mais assertivo em busca de maiores produtividades e de mais sustentabilidade.

Nesse contexto, se torna cada vez mais necessária a utilização de técnicas de Agricultura de Precisão para auxiliar os produtores na identificação de regiões críticas dentro das suas propriedades que estão limitando sua produtividade.

A plataforma Geodata é uma ótima aliada para monitorar a fertilidade do solo tanto em seus atributos químicos como em seus atributos físicos e biológicos!

Para mais informações, é só entrar em contato com o nosso time de especialistas.

Referências

AGUILLERA, L. A. Indicadores microbiológicos em áreas de cultivo de soja no estado de Mato Grosso. 2020. 46 f. Dissertação (Mestrado em Agricultura Tropical) – Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Agronomia e Zootecnia, Cuiabá, 2020.

BEULTER, A. N.; CENTURION, J. F. Compactação do solo no desenvolvimento radicular e na produtividade da soja. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 39, n. 6, p. 581-588, 2004.

GIRARDELLO, V.A. et al. Resistência à penetração, eficiência de escarificadores mecânicos e produtividade da soja em Latossolo argiloso manejado sob plantio direto de longa duração. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 38, p. 1234-1244, 2014.

MENDES, I. C. et al. Indicadores de qualidade biológica para manejo sustentável de solos arenosos. Boletim Informativo da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, v. 44, p. 22-7, 2018.

QUIRÓS, J. et al. Efeito da sistematização sobre a produtividade e distribuição de unidades de gestão diferenciada em um campo cultivado com arroz (Oriza sativa). Congresso Brasileiro de Arroz Irrigado. Gramado-RS 2017.

RESENDE, M. et al. Pedologia: base para distinção de ambientes. Viçosa, MG: Jard Produções Gráficas, 1995. 304p.

Por: Dra Jéssica PQ Barcelos

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