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E se faltar fertilizante no mercado?

Nos últimos dias o mundo tem acompanhado, em praticamente todos os meios de comunicação, notícias sobre a invasão russa à Ucrânia.

Embora este conflito esteja acontecendo bem longe do nosso país, os desdobramentos desse conflito têm gerado consequências econômicas para a agricultura nacional.

Acontece que dentre as diversas sanções e embargos comerciais resultantes da guerra, a exportação de produtos russos para o nosso país foi interrompida.

O Brasil importa atualmente, cerca de 80% do nitrogênio (N), 55% do fósforo (P) e mais de 97% de potássio (K) para formulação do fertilizante NPK utilizado na agricultura.

Vale salientar que as preocupações envolvem não apenas o aumento dos preços dos fertilizantes, algo já notado mesmo antes da guerra, mas também, um possível desabastecimento.

O caso mais preocupante é em relação ao fornecimento de K, pois sem a participação da Rússia e Belarus, deixam de ser ofertado aproximadamente 23 milhões de toneladas/ano.

E, embora o Canadá seja o maior produtor mundial de K, sua capacidade de produção é na ordem de 18 milhões de toneladas por ano, o que pode levar ao seu desabastecimento e ser o insumo de maior dependência da agricultura brasileira.

Países como Alemanha, Israel e Chile também são produtores de K, porém com escala de produção incapaz de atender a demanda mundial.

Este cenário tem obrigado o país a buscar alternativas para suprir a demanda de fertilizantes, e tornar seu uso mais eficiente na nossa agricultura.

Quais as alternativas?

Dada a emergência da situação, com a extrema dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes e suma importância para economia brasileira, vários cenários são avaliados na procura por meios alternativos para suprir tal demanda.

Para garantir o fornecimento de fertilizante a curto prazo, a diversificação dos fornecedores surge como uma alternativa para diminuir a dependência de insumos russos por outros países como Canadá, Marrocos, Chile e Arábia Saudita.

A China e o Marrocos, por exemplo, são os maiores exportadores de P do mundo, para quem o Brasil poderá recorrer à importação.

Embora a capacidade de produção de Marrocos já esteja quase saturada, a China possui uma grande capacidade ociosa que poderá aumentar a escala produtiva de Ppara atender parte da demanda mundial do nutriente.

Pensando na produção interna de fertilizantes, o Brasil possui apenas 11 plantas industriais que são produtoras de fertilizante.

Essas plantas industriais conseguem atender apenas a 11,6% da demanda nacional, enfatizando a grande dependência do mercado externo.

Em meio a crise estabelecida pela guerra entre Rússia e Ucrânia, na sexta-feira, dia 11 de março, o governo federal lançou o Plano Nacional de Fertilizantes.

A finalidade do Plano Nacional de Fertilizantes é justamente aumentar os investimentos no setor, visando diminuir em até 85% a dependência das importações de fertilizantes para a agricultura.

Entretanto, vale ressaltar que o Plano Nacional de Fertilizantes é uma ótima alternativa, porém que trará bons resultados a longo prazo.

Pensando no cenário atual, Agricultura de Precisão (AP) pode se tornar uma grande aliada.

Isso porque as técnicas de AP auxiliam o agricultor a aumentar a eficiência da aplicação de fertilizantes.

A aplicação de taxas variadas de fertilizante, levando em consideração as diferentes características da área, uma das premissas da AP, vão reduzir desperdícios do produto.

Neste sentido, é fundamental o acompanhamento de técnicos especialistas em AP e consultores durante a implantação do processo e de adaptação à nova tendência.

Além disso, outras alternativas de caráter sustentável começam a ser incorporadas dentro da realidade e da necessidade do produtor rural.

Dentre as alternativas podemos citar as técnicas de adubação verde e uso de plantas de cobertura, visando recuperar e manter a estabilidade e a durabilidade da capacidade produtiva do solo.

O uso de adubos orgânicos como a cama de frango e o esterco bovino, que envolvem técnicas de reaproveitamento de resíduos agrícolas e compostagem.

E também técnicas de reaproveitamento resíduos industriais e urbanos como águas residuárias, que dependem de biodigestores.

Assim como na implantação de técnicas de AP, a escolha pela aplicação de fontes alternativas aos fertilizantes minerais deve ser acompanhada por técnicos especialistas.

Nesse contexto, processos de consultoria vão auxiliar os produtores na escolha da melhor alternativa que se encaixe as suas realidades e necessidades!

Por: Dra Jéssica PQ Barcelos

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