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REVISÃO PRÁTICA E OBJETIVA SOBRE O ENXOFRE NO SOLO

O enxofre (S) é um dos macronutrientes mais requeridos pelas plantas, depois de nitrogênio, fósforo e potássio. Ele é responsável, por exemplo, por sabores e odores característicos de alimentos como alho, cebola, mostarda, brócolis e abacaxi.

No campo, encontrar sintomas de deficiência de enxofre não costuma ser comum, uma vez que a maioria dos solos possuem quantidades suficientes de enxofre.

Seu principal papel consiste na atuação em processos metabólicos e na estruturação de moléculas dentro das células, no qual a sua deficiência é considerada como fator limitante da produção agrícola.

Quando temos cultivos de variedades modernas com alto potencial de extração de enxofre, utilização intensiva do solo sem um correto manejo de fertilidade, e sem reposição de palhada, poderá agravar a situação.

De maneira geral, através da adubação de NPK o enxofre é adicionado a lavoura indiretamente. Porém, nem sempre essa adição é suficiente para a planta. Assim, através do correto acompanhamento e necessidade de enxofre pode-se atingir maiores produtividades.

Você conhece as funções do enxofre nas plantas?

E você sabe como fazer bom manejo de adubação para aumentar sua eficiência?

Acompanhe nossas dicas a seguir:

QUAL A FUNÇÃO DO ENXOFRE NA PLANTA?

O enxofre exerce importante papel estrutural em aminoácidos, proteínas, enzimas, coenzimas, carboidratos e lipídeos.

Assim, o enxofre é essencial em diversos processos metabólicos desempenhados pelas plantas, tais como:

  • Produção de clorofila e fotossíntese;
  • Produção e enchimento de grãos;
  • Nodulação de leguminosas;
  • Aumento da resistência contra pragas e doenças;
  • Maior resistência aos estresses abióticos como frio e seca;
  • Melhorar a qualidade dos alimentos, como odor e sabor.

Além disso, o enxofre possui efeito sinérgico na absorção e função de outros nutrientes, como do nitrogênio, fósforo e zinco.

Sinergismo entre enxofre (S) e nitrogênio na forma de ureia (UR) e sulfato de amônio (SAM). Fonte: Lefroy et al. 1992, via IPNI no 152, dezembro/2015.

Junto com o cálcio e magnésio, o enxofre é considerado um macronutriente secundário. Isso porque, embora sejam requeridos em grandes quantidades pelas plantas, suas necessidades de maneira geral são menores que de nitrogênio, fósforo e potássio.

Em algumas culturas, a extração de enxofre pode ser maior que de potássio por exemplo.

Você conhece os sintomas de deficiência de enxofre?

QUAIS PROBLEMAS DA DEFICIÊNCIA DO ENXOFRE?

Como vimos acima, o enxofre desempenha um importante papel no metabolismo das plantas uma vez que esse elemento participa de uma série de reações e de um grande número de compostos.

Assim, sua deficiência ocasiona diversos distúrbios metabólicos na planta. Entre os principais sintomas atribuídos a sua deficiência, estão:

  • Clorose generalizada;
  • Crescimento lento;
  • Acúmulo de antocianina (coloração avermelhada);
  • Redução da capacidade de fixação de nitrogênio;
  • Encurtamento de internódios;
  • Redução de florescimento;

Comprometimento da síntese de gordura e óleos.

Plantas de soja que receberam adubação sulfatada (direita) e plantas de soja deficientes em enxofre (esquerda). Fonte: Boch, Fundação MT, via IPNI no 152, dezembro/2015.

Como vemos na imagem acima, plantas com deficiência de enxofre apresentam clorose e serão menores do que plantas sadias.

Além disso, o sintoma de clorose apresentado pela deficiência de enxofre é muito parecido com o sintoma de deficiência de nitrogênio. Exceto pelo fato de os sintomas de deficiência de enxofre ocorrerem em folhas novas, enquanto os sintomas de deficiência de nitrogênio geralmente ocorrem em folhas velhas.

            AGORA QUE VOCÊ JÁ CONHECE AS FUNÇÕES DO ENXOFRE NAS PLANTAS E QUAIS OS SINTOMAS DE DEFICIÊNCIA, VAMOS MOSTRAR PARA VOCÊ DICAS VALIOSAS DE COMO MANEJAR SUA LAVOURA PARA AUMENTAR A EFICIÊNCIA DA ADUBAÇÃO COM ENXOFRE E GARANTIR BOAS PRODUTIVIDADES.

A IMPORTÂNCIA DE SABER OS TEORES DE ENXOFRE NO SOLO

Como no caso da maioria dos nutrientes, em primeiro lugar é importante saber quanto você tem de enxofre disponível no solo para garantir o corretor fornecimento para as plantas.

Exceto no caso de solos de formação vulcânica que tem grandes depósitos de enxofre, e muitas vezes são usados para extração do elemento para indústria, a maior parte do enxofre na maioria dos solos é encontrada na forma orgânica (95%).

Assim, apesar do solo ser responsável por fornecer cerca de 60% a 90% do total de enxofre para requerido pelas plantas, temos que levar em consideração que solos arenosos e com menores teores de matéria orgânica podem ter sua produção limitada por falta desse nutriente.

Além disso, a disponibilidade e absorção do nutriente, mesmo em solos com bons teores de matéria orgânica, dependem da relação C/S do solo no qual o S deve ser mineralizado.

Assim, em condição de relação C/S alta (> 200/1), o S estará imobilizado pelos microrganismos do solo. Isso ocorre, por exemplo, em casos em que é feito manejo de fogo pela lavoura, como era feita a despalha da cana-de-açúcar antigamente, em que a relação C/S chega a 455.

Para se ter ciência da variação de enxofre presente no solo, precisa-se conhecer as diferentes frações do enxofre:

  • Fração não-lábil: representa todas as formas de enxofre que não estão em equilíbrio com a solução do solo, ficando retidas pelos coloides inorgânicos ou orgânicos do solo;
  • Fração lábil: encontra-se em equilíbrio com a solução do solo, e conseguem passar para a solução dentro do ciclo de vida da cultura agrícola.

Além da forma de S-orgânico, em solos bem drenados e oxigenados, a forma predominante de enxofre é a mais oxidada, o sulfato (SO4-2), fonte primordial para as plantas. Podendo ser encontrado na solução do solo, adsorvido as partículas de argila ou em complexos organominerais.

Por se tratar de um ânion, o S-SO4-2 tem alta mobilidade no solo, e assim como ocorre com o nitrato (NO3), o S-SO4-2 fica suscetível a lixiviação em solos brasileiros, devido as cargas negativas (CTC) do solo.

Assim, alguns autores recomendam avaliar também a camada subsuperficial do solo, de 20 a 40 cm, para avaliar o teor de enxofre no solo, e fazer um correto manejo de adubação.

Por isso a análise do solo desempenha um papel fundamental para o sucesso da lavoura quanto à supressão das deficiências dos nutrientes da sua lavoura.

Sendo assim, é importante conhecer e saber diferenciar os métodos de análises para ser levado em consideração e auxiliar na interpretação das análises do solo, a fim de avaliar o manejo da cultura e determinar a necessidade de fornecimento de enxofre via adubação.

    ESCOLHA OS FERTILIZANTES ADEQUADOS

Como mencionamos anteriormente, embora o solo seja a principal fonte de enxofre para as plantas, diversos fatores interferem na disponibilidade do elemento para as plantas.

De maneira geral, alguns fertilizantes comumente utilizados na agricultura são fontes indiretas de S. Porém, nem sempre a adição desses fertilizantes garante o correto fornecimento do nutriente para as plantas.

Assim, após saber os teores e disponibilidade de enxofre nos solos, é hora de escolher as fontes adequadas para a suplementação da lavoura.

Abaixo listamos as principais fontes de enxofre disponíveis no mercado, e qual a porcentagem de enxofre que cada uma tem:

  • Enxofre elementar (90% S-Elementar);
  • Sulfato de amônio (24% S-Sulfato);
  • Superfosfato simples (12% S-Sulfato);
  • Sulfato de potássio (18% S-Sulfato);
  • Gesso agrícola (16% S-Sulfato).

O fornecimento de enxofre por meio do S-elementar, embora seja a fonte com maior porcentagem de enxofre, tem sua liberação de maneira gradativa. Isso faz com que os nutrientes estejam disponíveis para as plantas por um período maior, reduzindo o risco de lixiviação, além de apresentar custos mais baixos para o produtor rural. 

O Sulfato de Amônio, é mais suscetível à lixiviação devido ao S-SO4-2 em sua composição, é uma ótima opção como fonte de enxofre e nitrogênio (N) para as plantas. Este fertilizante é utilizado principalmente em adução de cobertura, uma vez que o S, na forma de SO4-2, encontra-se prontamente disponível para a planta, e o amônio como fonte N é pouco volatizado.

Por sua vez, a utilização do Supersimples como fonte de enxofre para as plantas, apresenta a vantagem da composição do cálcio (Ca), que melhora as condições superficiais do solo, embora seja mais suscetível à lixiviação, assim como o sulfato de amônio.

Já o Sulfato de Potássio é indicado como substituto ao Cloreto de Potássio (KCl), para culturas exigentes em potássio (K) mas sensíveis ao cloro (Cl). Além disso, o Sulfato de Potássio e Magnésio são fontes mais indicadas em áreas que apresentam limitações referente às chuvas e/ou irrigação, e em solo salinos, por possuírem menor índice salino.

O gesso, assim como o superfosfato simples, apresenta cálcio em sua composição. Sua aplicação geralmente é voltada a sua ação como condicionador de subsuperfície, devido a reação do S-SO4-2 na neutralização de alumínio tóxico as raízes em camadas mais profundas (abaixo de 20 cm).

Vale ressaltar que devido as características dos íons adicionado, poderá ocorrer lixiviação de bases, logo deve-se ter um maior cuidado com as doses, tipo de solo e o correto manejo o gesso como fonte de enxofre para as plantas.

Nesse sentido, é fundamental para o produtor rural conhecer as características do solo e das fontes de enxofre para que seja feita a melhor escolha dentre as diversas opções disponíveis do mercado e assim garantir maiores benefícios e menores custos de aplicação.

    ACOMPANHAMENTO DA LAVOURA

Assim como para os outros nutrientes, o acompanhamento contínuo da lavoura é essencial para avaliar a eficiência das aplicações de fertilizantes e os níveis de enxofre no solo e na cultura.

As análises de solo, como mencionamos anteriormente, são fundamentais na tomada decisão, na recomendação da fonte adequada de S, e de métodos recomendados de manejo para cada tipo de situação.

Além disso, o uso de mapas de fertilidade para avaliar as variações naturais de disponibilidade de enxofre e teor de matéria orgânica no solo, e sua relação C/S, garantem a aplicação de fertilizantes em taxas variadas, e assim melhor manejo e maior economia na aplicação do fertilizante.

Já as análises nutricionais da lavoura, irão fornecer um feedback de como as plantas estão respondendo às adições dos fertilizantes, antes que surjam sintomas visuais de deficiência, permitindo ajustes ao longo do ciclo da cultura agrícola, como a necessidade de fornecimento de enxofre via foliar, por exemplo, e garantindo a produtividade.             Vale ainda avaliar quão exigente sua cultura é com relação ao enxofre. Como mencionamos anteriormente, algumas culturas são mais exigentes em enxofre do que em fósforo por exemplo, como as culturas listadas abaixo:

CONCLUSÃO

Como visto, o enxofre é fundamental para o desenvolvimento das plantas atuando em diversos processos metabólicos e sua deficiência compromete a produção e produtividade das culturas agrícolas, o que resulta em prejuízos ao produtor rural.

Embora ocorra o fornecimento do enxofre para as plantas de maneira indireta junto através de fertilizantes sulfatados, a análise de solo tem papel fundamental para o manejo correto dessas aplicações, desde a escolha do fertilizante até as dosagens necessárias para cada cultura e tipo de solo, para que o produtor possa usufruir dos benefícios nutricionais do enxofre para a sua cultura quanto da redução de custos com os fertilizantes.

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Por: Dra Jéssica PQ Barcelos

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