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A importância da pecuária e a evolução das pastagens no Brasil

Quando falamos em agro, não podemos deixar de lado a pecuária.
Não é à toa, o Brasil segue sendo um dos maiores produtores de carne bovina no mundo.
Segundo dados divulgados em relatório do USDA, a produção brasileira de carne bovina para 2022 é estimada 9,75 milhões de toneladas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos com 12,4 milhões de toneladas.
Enquanto na produção estamos em segundo lugar, quando falamos em exportação, o Brasil é o primeiro colocado.
O relatório do USDA aponta ainda que o Brasil é responsável por 22% das exportações globais, tendo recuperado um valioso importador, a China.
Essa marca de primeiro colocado em exportação não é bem novidade. O país tem se mantido nessa posição nos últimos cinco anos consecutivos, sendo o primeiro colocado em 14 dos últimos 20 anos, depois de se tornar o maior país exportador em 2004.
Uma das características que permitiram tamanho crescimento é o fato de a pecuária brasileira ter seu rebanho principalmente criado a pasto, o que garante o título de boi verde ou “grass feed beef”, considerado mais saudável e, portanto, apresentando-se como um forte componente na conquista de mercados mais exigentes.
Atualmente, são 154 milhões de hectares de pastagens cultivadas, e mais 46,6 milhões de hectares considerando os campos naturais no Pampa e no Pantanal, área que ultrapassa o do Estado do Amazonas.
A grande extensão territorial do país e a boas condições climáticas para crescimento do pasto, garantem maior competitividade com o mercado externo devido aos menores custos de produção.
Se por um lado as nossas características privilegiadas permitiram a expansão da pecuária, por outro lado, esses privilégios fizeram com que os investimentos e cuidados com a qualidade da pastagem fossem ignoradas ao longo dos anos.
Entretanto, o manejo das pastagens brasileiras evoluiu muito nos últimos anos, como você pode conferir a seguir.

A evolução das pastagens no Brasil
Quando foi inserida, durante o período colonial, a pecuária tinha por objetivo o fornecimento de animais para tração de implementos para o cultivo de cana-de-açúcar.
Desde então, o gado vem sendo criado solto, em sistema de pecuária extensiva, sem qualquer tipo de manejo em relação à pastagem para sua alimentação.
E quando falamos em manejo, não podemos nos esquecer que os pastos utilizados eram compostos de formações naturais.
Foi somente na década de 1970, com a expansão da agricultura para o Cerrado, que o Brasil passou a ter mais pastagens cultivadas.
Para isso, foram inseridas gramíneas exóticas das espécies Brachiaria, Panicum, Pennisetum e Andropogone, de maior potencial produtivo.
Essa expansão possibilitou entre 1970 e 2010 um crescimento de 12% na área total de pastagens cultivadas, e um crescimento de 215% no tamanho do rebanho, e de 440% da produção de carne.
Embora tenha permitido grande aumento na produção de carne, as pastagens cultivadas, em sua grande maioria, foram estabelecidas em solos ácidos e de baixa fertilidade. Em muitas situações, os solos utilizados eram marginais e até inadequados para a exploração agrícola.
As condições de solos pobres e ácidos associadas ao baixo histórico de investimento por parte dos produtos no manejo da pastagem, resultou em altos índices de pastagens degradas.
Segundo estimativa do Rally da Pecuária, atualmente, os prejuízos anuais decorrentes de pastagens degradadas em todo o país representam em torno de R$ 9,5 bilhões aos produtores. Assim, o preço de uma propriedade com pastagens de baixa capacidade de produção chega à metade do preço de uma com pastagens de alta capacidade.
Dados de mapeamento do MapBiomas demonstrou que nos últimos 20 anos, as áreas com pastagens degradadas reduziram de 70 para 53%. Quando falamos em pastagens severamente degradadas, a redução foi de 29% em 2000 para 14% em 2020, correspondente a uma recuperação de 24,2 milhões de hectares.
Segundo estimativas do Insituto ClimaInfo, uma recuperação de 6,5 milhões de hectares de pasto degradado podem acrescentar em 10 anos cerca de R$ 3,4 bilhões a economia local.
Assim, ao longo dos anos, porém, ficou evidente a produtividade e lucratividade do setor dependem do desempenho do gado, que por sua vez é condicionado ao valor nutritivo da forragem, e não apenas em seu potencial genético, como vamos explicar melhor abaixo.

A taxa de lotação animal e a adubação das pastagens
A eficiência da produção animal é medida em lotação animal, que por sua vez é medida em Unidade Animal por hectare (UA/ha), sendo que 1 UA corresponde a 450 kg de Peso Vivo.
Sendo assim, a taxa de lotação animal determina a densidade de bovinos que por sua vez influencia a capacidade de suporte da pastagem e no desempenho individual dos animais.
Em condição em que a taxa de lotação está acima da capacidade de suporte do pasto, está ocorrendo o que chamamos de super pastejo o que deverá ocasionar a degradação do pasto.
Por outro lado, se há menos animais do que o pasto poderia suportar, ocorre o que chamamos de sub-pastejo.
Embora nesse caso o ganho de peso por cabeça possa ser maior, temos que levar em consideração o desperdício de recursos. Conforme a forragem vai crescendo, o excesso não consumido deverá passar do ponto ideal de pastejo, fornecendo menos nutrientes e até mesmo sendo menos preferida pelos animais.
Além desse desperdício, devemos considerar ainda que haverá um menor ganho por área comparada ao potencial da pastagem.

Mas você deve estar se perguntando, “ok, mas o que isso tem a ver com adubação?”

Quando pensamos em pecuária, temos que levar em consideração que ela engloba um sistema formado pela interação entre solo-planta-animal, além dos fatores clima e do manejo do sistema.
O desempenho dos animais à pasto, ou seja, quanto ele engorda por dia, e quanto tempo ele deverá ficar no campo até atingir o peso ideal para o abate, dependem diretamente da quantidade e da qualidade do alimento disponível.
Vale ressaltar que quando o animal se alimenta, ele está consumindo os nutrientes extraídos pela planta forrageira.
Parte desses nutrientes serão convertidos em produto animal (carne/leite). E outra parte será devolvida ao solo através da decomposição dos dejetos animais e das forrageiras não consumidas.
Porém a ciclagem desses nutrientes, não garante o retorno total dos nutrientes ao solo para reaproveitamento pelas pastagens, já que grande parte é perdida em processos de lixiviação, volatilização e erosão, por exemplo.
Grandes produtividades de carne ou leite, por tanto, dependem um correto manejo da fertilidade do solo, baseado no balanço entre a entrada e saída de nutrientes.
Neste sentido, estudos apontam que um correto manejo de fertilidade, como práticas de correção e adubação, responde por um ganho médio de peso diário 250 g maior do que em áreas não manejadas.
Embora sejamos o segundo maior produtor de carne bovina, nossa eficiência na produção animal, quando comparada ao mercado externo ainda é considerada baixa.
Para se ter noção, em sistemas intensivos, ou seja, em confinamentos, a produção é superior a 4 UA/ha.
A Holanda, por exemplo, considerando criação de vacas leiteiras a pasto, apresenta uma taxa de lotação animal 2,67 UA/ha.
Assim, a taxa de lotação animal demonstra não apenas o potencial de suporte da pastagem, mas também o grau de tecnologia empregado na área.
Atualmente, a lotação animal do Brasil chega a ~0,94 UA/ha, o que corresponde a uma taxa de ocupação média de 1,34 cabeças/ha.
Em pastagens degradadas, e em condições de solos ácidos, por exemplo, a produção de forragem seria suficiente para suportar taxas de lotação animal entre 0,41 e 0,48 UA/ha/ano.
Apesar dos números brasileiros ainda serem baixos quando comparados aos de outros países, esses já representam uma grande evolução se considerarmos que historicamente demoramos para ultrapassar a marca de 1 cabeça/ha.
Assim, essa taxa demonstra as transformações que o setor vem sofrendo ao longo dos anos.
Foram introduzidas novas técnicas para recuperação do pasto, modelos de reformas de pastagens mais viáveis economicamente, além de outros modelos como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).
Além disso, independente do modelo escolhido, a aplicação de técnicas de Agricultura de Precisão, tem se mostrado promissora.
O uso de mapas de manejo de fertilidade e a aplicação de fertilizantes em taxa variada, para auxiliar o produtor a aumentar o rendimento da produção de biomassa, reduzindo desperdícios de fertilizantes, que estão cada vez mais caros, aumentando a lucratividade da fazenda.
Ainda temos que considerar os avanços nos modelos e técnicas de manejo dos animais a campo como rotação de piquetes, altura do pasto para introdução de animais, boas genéticas, saúde e bem-estar animal.

Por fim, devemos levar em consideração o a complexidade do sistema, e que incorporação de novas as tecnologias vêm para facilitar o manejo e melhorar cada vez mais nossa produção, e auxiliar a pecuária a se manter nesse local de destaque mundial!

Por: Dra Jéssica PQ Barcelos

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