Manejo eficiente de Fósforo (P)

 O Fósforo (P) é um dos elementos essenciais para a nutrição das plantas. Em conjunto com o potássio e o nitrogênio, compõem o grupo dos Macronutrientes primários. Esses nutrientes são exigidos em maior quantidade pelas plantas. Por isso, sua utilização na adubação é vital para se atingirem altas produtividades.

O grande desafio está na baixa disponibilidade de fósforo na maior parte dos solos brasileiros, tema que vamos abordar mais profundamente. Sua disponibilidade está associada a fatores ambientais que controlam a atividade de microrganismos e às características dos diferentes tipos de solo. Entender esses fatores pode auxiliar na tomada de decisão na hora de fazer a adubação de forma mais adequada.

Considerado por muitos autores como um dos principais nutrientes limitantes da produção, o fósforo exerce funções extremamente importantes na fisiologia e no metabolismo da planta. Vamos entender um pouco mais sobre isso.

Funções do fósforo na planta

O fósforo tem atuação direta no metabolismo das plantas, em processo como trocas energéticas, na respiração e na fotossíntese. É também um componente estrutural. Basicamente podemos resumir suas funções:

  • Elemento Estrutural – constituinte de estruturas moleculares como ácidos nucleicos (DNA e RNA);
  • Armazenamento e transferência de energia – elemento componente de amidos, proteínas, sacarose e glicose;
  • Ativação enzimática;
  • Componente de membranas fosfolipídicas.

Frente as funções vitais do fósforo, o fornecimento desse nutriente deve ser muito bem feito para que não haja deficiência ao longo do ciclo da cultura. A deficiência de fósforo pode acarretar grandes perdas de produtividade, devendo haver disponibilidade desde o início do desenvolvimento das plantas. Caso haja deficiência, como visualizá-la a campo?

DEFICIÊNCIA DE FÓSFORO

Os solos brasileiros são geralmente muito pobres em fósforo. Isso acontece porque nossos solos passaram por um processo de intemperização muito forte devido as condições climáticas. Isso resulta em solos ricos em óxidos de ferro e alumínio de baixa fertilidade. Como pode ser visto na imagem abaixo, em solos de todo o país podem haver deficiências de P:

Imagem: Frequência relativa das deficiências de fósforo (P) no Brasil

Fonte: UFPR – Nutrição Mineral de Plantas

Isso faz com que até 90% do fósforo aplicado seja adsorvido, não estando disponível para absorção pelas plantas. Os solos do cerrado apresentam teores muito baixos do nutriente em questão, necessitando de uma atenção especial na adubação. 

Sintomas de deficiência podem ser notados nas lavouras quando os teores não estão adequados. Vale lembrar que quando esses sintomas estão visíveis, já existe perda de produtividade, sendo necessário tomar atitudes rápidas para evitar maiores problemas. Dentre os principais sintomas, podemos destacar:

  • Segundo Malavolta et al. (1997), a deficiência do P resulta na redução no número de frutos e sementes, atraso no florescimento e tamanho da planta;
  • As folhas mais velhas e intermediarias da soja apresentam cor verde mais escuro, e com o passar tempo essas folhas desenvolve, clorose generalizada, que vai do ápice para a base;
  • No milho observa-se coloração vermelha ou arroxeada, explicada pelo acumulo de antocianina;
  • Atraso no crescimento e caules atrofiados, deixando a planta com sintoma de raquitismo severo.

Muitas vezes, esses sintomas podem não ser facilmente identificáveis. Segue imagem representando deficiência de fósforo nas culturas do milho, soja e feijão.

Imagem: Deficiência de fósforo nas culturas de milho, soja e feijão.

Fontes: Maynard Reece, Viecelli et al., 2017

Adubação fosfatada

Visando suprir a necessidade nutricional das plantas, a adubação é uma das formas de fornecer nutrientes as plantas. Com o fósforo não é diferente. É importante fazer uma boa análise de solo de cada talhão, de forma que os valores encontrados sejam representativos da área em questão. Entender a disponibilidade de fósforo no solo vai ajudar a direcionar a aplicação de fertilizantes. 

É importante também realizar análises foliares para determinação do teor de fósforo nos tecidos das folhas. Esse tipo de análise mostra se as plantas estão conseguindo absorver o nutriente do solo, e também devem ser utilizadas como referência para orientar a adubação.

A correção do solo é um fator extremamente importante para se obter sucesso na adubação. A disponibilidade dos nutrientes está diretamente relacionada ao pH do solo, como pode ser observado na figura a seguir.

https://maissoja.com.br/wp-content/uploads/2019/02/ph.png
Imagem: Disponibilidade de nutrientes em função do pH
Fonte: Valter Casarin – INPI

A disponibilidade do fósforo aumenta consideravelmente com ajuste do pH do solo. Dessa forma, é importante inicialmente, fazer uma boa calagem. A faixa de pH ideal está entre 6 a 7, intervalo em que a disponibilidade de nutrientes fica otimizada.

Quando fazer a adubação fosfatada?

Existem alguns métodos para se realizar a adubação fosfatada. Quando os teores estão muito baixos, normalmente em áreas de abertura ou de pastagens degradadas, muitas vezes é necessário fazer a fosfatagem em área total com incorporação. Esse processo visa aumentar os teores de fósforo no solo. Essa prática também é recomendada antes da implantação de sistemas conservacionistas (plantio direto), onde não haverá mais revolvimento e possibilidade de incorporação. A operação deve ser realizada após a correção do pH.

A fosfatagem tem como objetivo correção dos teores de solo. Dessa forma, não exclui a necessidade de se fazer adubação com fósforo visando suprir a extração ou a exportação da cultura.

Para culturas anuais, é muito comum fazer a adubação de fósforo simultaneamente a operação de semeadura. As semeadoras possuem compartimento para armazenamento do fertilizante e sulcadores para fazer o sulco de plantio e depositar o adubo. Outra técnica que vem sendo cada vez mais utilizada em grandes áreas é a antecipação da adubação a lanço, que aumenta o rendimento da operação de semeadura. 

Adubação a Lanço versus Sulco de plantio

A adubação no sulco de plantio é uma técnica consolidada. Possibilita que o fertilizante seja incorporado há alguns centímetros e melhor aproveitado pelas plantas. É uma técnica que aumenta a eficiência do nutriente, uma vez que o fósforo é absorvido majoritariamente por difusão, o que torna necessário que o nutriente esteja próximo a raiz. As semeadoras adubadoras necessitam tratores com grande potência e podem prejudicar o rendimento na operação de semeadura.

Por esse motivo, alguns produtores passaram a antecipar a adubação, fazendo a aplicação a lanço. O ganho operacional é notável, uma vez que as semeadoras ficam mais leves, não havendo necessidade de paradas para abastecimento das caixas de adubo. Entretanto, a técnica é questionável a longo prazo, pela deposição no adubo na superfície e a baixa mobilidade do nutriente no perfil de solo. Isso pode afetar bastante o desenvolvimento do sistema radicular.

Dessa forma, a adubação a lanço poderia ser recomendada em solos que apresentarem teores adequados de fósforo em profundidade, como representado na imagem abaixo:

Imagem: Níveis críticos de fósforo

Fonte: Resende, 2014

Fontes de adubos fosfatados

Temo hoje no mercado uma série de fertilizantes contendo fósforo na sua composição. Existem fontes mais solúveis e menos solúveis. Alguns fertilizantes possuem ainda outros nutrientes na sua composição, o que pode ser interessante em algumas situações.

Dessa forma, a escolha deve se basear na concentração de fósforo de cada formulação, bem como no preço e na sua solubilidade.

Tabela 1: Adubos fosfatados

Fonte: A. R. Dechen

As principais fontes de fósforo utilizadas são o fosfato monoamônico ou MAP, fosfato diamônico ou DAP, superfosfato simples ou supersimples, e o superfosfato triplo ou super triplo. Isso se dá pelas maiores concentrações de fósforo nessas formulações (diminuição no volume de fertilizantes). As doses variam de acordo com a cultura, teor do nutriente no solo e produtividade esperada. 

Como otimizar o Fósforo na Agricultura?

Depois te entender um pouco mais sobre a complexidade e a importância do fósforo para as plantas, vemos a necessidade de fazer um bom manejo desse nutriente nas lavouras. Existem algumas formas de otimizar a adubação fosfatada, visando suprir adequadamente a necessidade exigida pela cultura. 

Entender o tipo de solo que se está trabalhando. O tipo de solo e a quantidade de argila vai influenciar diretamente a dinâmica do fósforo. Entender sobre o seu solo, pode otimizar bastante o manejo. Associado a isso, fazer uma boa análise de solo, visando fazer uma boa correção de pH, bem como para quantificar os valores de fósforo existentes.

Realização de diagnoses foliares. Depois de se fazer uma boa correção e adubação fosfatada, é necessário fazer também análises foliares para quantificar os nutrientes presentes nas folhas. Os valores de referência para cada cultura podem ser encontrados em informativos da Embrapa. Esses valores serão importantes para a calibração das próximas adubações fosfatadas, bem como de outros nutrientes.

Utilização de fontes solúveis. A escolha de fontes adequadas de fósforo vai interferir diretamente no seu aproveitamento. Prefira fontes mais solúveis.

Escolher bem o método de aplicação. O fertilizante deve ser aplicado de forma que seja o mais bem aproveitado pela planta. Dessa forma, é importante considerar a forma, o momento e a dose que será aplicada. 

Em caso de dúvidas, sempre consulte um Agrônomo para orientações.

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