ESG e Sustentabilidade: a Nova Moeda Financeira

Plantação de milho

ESG (Environmental, Social and Governance – em tradução livre, Ambiental, Social e
Governança (ASG)) refere-se aos três fatores centrais na medição da sustentabilidade e do impacto
social de um investimento em uma empresa ou negócio (KELL, 2018). Isto é, ESG é um parâmetro
que mede o quanto um negócio está comprometido com as práticas ambientais, sociais e de
governança. Para cada um desses três fatores, há alguns aspectos para se observar:

• Fatores ambientais: mudança climática, uso de recursos naturais (água, matéria-prima, biodiversidade e uso da terra), poluições e desperdício.
• Fatores sociais: gestão do trabalho, inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, relações com comunidades, privacidade e proteção de dados.
• Fatores de governança: independência do conselho, política de remuneração da alta administração, diversidade na composição do conselho de administração, estrutura dos
comitês de auditoria e fiscal, ética e transparência.

Seguir os parâmetros do ESG tem se tornado a nova Moeda Financeira do Mundo e do Agronegócio. Negócios, como, por exemplo, propriedades rurais, empresas e organizações, que adotam melhores práticas ambientais, sociais e de governança apresentam diversos impactos positivos, como maior lucratividade e até uma melhora em seu valor de mercado ao longo do tempo (RAGAGNIN, 2019; BCG, 2021). Isto pois, os mesmos mapeiam melhor os riscos dos seus projetos tornando-se mais resiliente para enfrentar as adversidades do mercado (CABRAL, 2021). Inclusive, a implementação dessas práticas tornou-se critério de escolha para investidores no mercado financeiro (BEZERRA, 2021).

Segundo o relatório da XP Investimentos, realizado pela Marcella Uganretti (UGANRETTI, 2021), tem-se que:

24% das bolsas globais implementaram, em 2020, a divulgação dos parâmetros ESG; e que,

30% dos ativos sob gestão no mundo foram gerenciados, em 2018, por fundos que definiram estratégias sustentáveis.

Observa-se que, tanto a porcentagem de ativos sob gestão quanto das bolsas que implementaram a divulgação dos parâmetros ESG, não são homogêneas nas diferentes regiões do mundo. O continente europeu lidera a incorporação de estratégias sustentáveis na gestão de ativos com 46% da participação global, sendo seguido pelos EUA com 39% e Japão com 7% (UGANRETTI, 2021).

Na América Latina e, mais especificamente, no Brasil, é crescente o investimento pelos bancos e governos para a incorporação dos parâmetros ESG nas empresas e organizações (FRANÇA e GRADILONE, 2021). E se até mesmo os banqueiros, que são, segundo França e Gradilone (2021), pragmáticos e pouco propensos a modismos, estão seguindo esta tendência, significa que os parâmetros ESG estão se tornando um novo padrão para as finanças.

Mas, por que?

Porque a sociedade MUDOU! O mundo está mais consciente da importância do meio ambiente e das consequências dos impactos ambientais, bem como dos problemas sociais e de governança para o futuro. Logo, cuidar do meio ambiente, ter responsabilidade social e adotar melhores práticas de governança tornou-se “lei”, inclusive no agronegócio, pois o mercado financeiro é a principal força motriz desta tendência e, uma vez que ele aderiu, dá-se a necessidade de redução dos impactos

gerados durante toda a cadeia.

E o agronegócio entendeu o recado!

O agronegócio mundial vem apresentando grandes melhorias e avanços neste aspecto. Alguns avanços foram os acordos internacionais e marcos regulatórios do desenvolvimento sustentável, com impacto na agricultura brasileira e na definição de protocolos e métricas de sustentabilidade, como, por exemplo: i) Agenda 2030, a qual se baseia em 17 objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) e 169 metas complementares; ii) Agenda 21, a qual busca a implantação global de um modelo de desenvolvimento sustentável tentando aliar preservação ambiental, questões sociais e crescimento econômico e iii) Declaração de Brasília, de novembro de 2019, que reconheceu a importância da cooperação entre os países e da gestão sustentável dos recursos naturais e destaca que o comércio no bloco (BRICS) deve se basear na ciência e na tecnologia.

E quem não havia entendido o recado, o Mercado Internacional fez entender.

Um dos impactos foi sentido na Agricultura Brasileira com o boicote a produtos agroalimentares brasileiros realizado, em 2019, por, em sua maioria, varejistas europeus que aderiram aos parâmetros ESG, em resposta as políticas ambientais em exercício no período (VEIGA, 2020).

Em conjunto com o mercado internacional, algumas práticas ambientais, que inclusive são parâmetro do ESG, impactam fortemente a sustentabilidade e a rentabilidade do agronegócio brasileiro como, por exemplo, o uso indiscriminado de recursos naturais, por meio do: desmatamento, degradação do solo, contaminação do solo, ar e água, entre outros (LUCHIARI JUNIOR e RAMOS, 2017).

O desmatamento, perda de áreas de vegetação nativa para áreas de pastagens ou cultivo, é responsável pela ameaça de extinção de diversificados biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica (SILVA, 2021), pela alteração do microclima da região desmatada, pela erosão do solo e pela desertificação e arenização da área. Isto ocorre pois, devido a falta de vegetação após o desmatamento, á área não apresenta os recursos necessários para a continuidade da fauna, o solo fica mais exposto a agentes erosivos, ou seja, que o degradam lentamente, como a água das chuvas e dos rios. A erosão acaba provocando o desagregamento do solo, empobrecendo a quantidade de nutrientes e, por consequência, fazendo com que ele seja impróprio para a agricultura (NASCIMENTO, 2018). Consequentemente novas áreas serão abertas para garantir a produção de alimentos e manutenção da economia.

A degradação do solo ocorre por meio do uso de técnicas de cultivo inadequadas, uso intensivo de máquinas, a não rotatividade das culturas produzidas no solo e o pisoteamento contínuo do gado, isto é, pelo manejo inadequado. Esse manejo inadequado, ocasiona o esgotamento dos nutrientes, compactação, erosão, aceleração da desertificação e a compactação do solo (SILVA, 2021).

A contaminação do solo, ar e água ocorre, principalmente, pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, fertilizantes e antibióticos no meio rural brasileiro. O agrotóxico, ao ser lançado nas plantações ou no pasto, pode espalhar-se pelo ar, infiltrar-se no solo, atingir o lençol freático ou ser levado pela água da chuva para os mananciais (SILVA, 2021). Os fertilizantes, quando aplicadas em quantidades superiores ao necessário para a área e finalidade, podem ocasionar redução da produtividade agrícola decorrente dos efeitos fitotóxicos, acúmulo no solo, alteração na atividade microbiana, contaminação dos recursos hídricos e em aumento do efeito estufa (MENDES et al., 2010)

Em suma, essas práticas ambientais ocasionam áreas degradadas e inaptas ao uso agrícola e grande perda de produtividade pela cultura. Em outras palavras PERDA DE RENTABILIDADE ao Agronegócio.

É inegável que o setor corrobora favoravelmente com a situação econômica e social do País, mas enfrenta importantes desafios sobre a dicotomia entre aumento da produção e redução de impactos ambientais. Com isso, a questão da sustentabilidade no setor do agronegócio tem ganhado cada vez mais espaço e afetado direta ou indiretamente o mercado financeiro. A sustentabilidade pode ser definida como a capacidade do ser humano interagir com o mundo, preservando o meio ambiente para não comprometer os recursos naturais das gerações futuras.

E no agronegócio, o que é a sustentabilidade ?

No agronegócio, Sustentabilidade seria aumentar a produção de alimentos e melhorar a segurança alimentar adotando práticas responsáveis e que respeitem o meio ambiente (OKUMURA, 2020). Os avanços tecnológicos têm sido aliados nesse sentido. Ainda que distante do nível tecnológico dos países desenvolvidos. Diversas empresas e organizações, desde startups até

multinacionais, estão criando e adotando tecnologias visando a adesão de práticas sustentáveis para o agronegócio. Além disso, muita pesquisa e ciência está sendo realizada sobre o assunto.

Como praticar a agricultura sustentável?

Existem diversas maneiras de praticar a agricultura sustentável. Entre elas, tem-se:

1. Reaproveitamento de espaços ociosos e áreas degradadas para plantações agrícolas, por meio da transformação em hortas urbanas ou áreas agriculturáveis.

2. Incremento de produtividade nas culturas agrícolas por meio de melhoramento genético e uso de biotecnologia

3. Uso de Pecuária Manejada para reduzir a pegada de carbono, por meio de uma pastagem recuperada e bem manejada a qual consegue armazenar carbono no solo.

4. Uso de Controle Biológico, isto é, controlar as pragas agrícolas e os insetos transmissores de doenças a partir do uso de seus inimigos naturais, acarretando menor uso de químicos.

5. Uso de Tecnologias Digitais
5.1. Internet das Coisas (Internet of Things – IoT)
para, por exemplo, monitorar os níveis

de umidade do solo e adicionar água quando e onde necessário

5.2. Agricultura de precisão para otimizar, por exemplo, o uso de fertilizantes, agroquímicos, água, energia e sementes

5.3. Análise de Dados para entender e tentar predizer o comportamento das variáveis do campo otimizando o uso de recursos ambientais e financeiros

Assim sendo, de uma maneira geral, a Sustentabilidade por meio do uso mais racional dos recursos naturais e insumos, além da otimização das operações de campo, monitoramento das condições das culturas e rebanhos, entre outros, são apenas algumas práticas que já estão sendo realizadas no agronegócio visando atender aos parâmetros ESG.

Fique atento! A instrução que o mercado financeiro transmite é clara e direta: pratique a Sustentabilidade, minimize os impactos negativos ao meio ambiente e potencialize os positivos.

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