[BORO] Um aliado no período reprodutivo da cultura – Série sobre fertilidade e nutrição mineral de plantas

Na história do desenvolvimento agrícola no Brasil a prática da Lei do Mínimo na nutrição de plantas aliada as técnicas de manejo de solo alavancaram o progresso e altas produtividades, possibilitando o uso agrícola de solos do cerrado. Atualmente, o Brasil assume lugar de destaque no agronegócio mundial, e de acordo com a CONAB (2021), é o maior produtor mundial de soja pelo segundo ano consecutivo. A combinação de tecnologias adequadas com o correto manejo nutricional e fitossanitário de uma lavoura é essencial para colher bons resultados.

Entender a contribuição dos nutrientes para aumento da produtividade é uma peça essencial na tomada de decisão. Ao receber a análise de solo, podem surgir algumas questões: “e se minha planta ficasse sem esse nutriente? Mas é tão pouco que a cultura precisa, será que é necessário investir em micronutrientes?” Pensando nisso, a GeoData, com o intuito de trazer informações de qualidade para auxiliar e entender mais a fundo o manejo da lavoura, separou uma série de conteúdo para tirar todas as suas dúvidas sobre micronutrientes.

Os micronutrientes são elementos essenciais para o crescimento das plantas que são necessários em pequenas quantidades e a deficiência nutricional pode provocar problemas no crescimento e no desenvolvimento das plantas, afetando a produção final. Por isso, SIM, mesmo a planta requerendo uma quantidade menor desses nutrientes, é fundamental investir nesses elementos para garantir a produtividade e qualidade do produto colhido.

BOROImportância e funções

O boro (B) é um nutriente que atende aos critérios indiretos de essencialidade, ou seja, na ausência desse elemento a planta não completa o seu ciclo de produção (vegetativo e reprodutivo) e não pode ser substituído por nenhum outro. O B tem função importante na translocação de açúcares e no metabolismo de carboidratos, bem como no florescimento, crescimento do tubo polínico, processos de frutificação, metabolismo do nitrogênio e atividade de hormônios (DECHEN et al., 2018)

Deficiência

Por se tratar de um elemento com baixa mobilidade na planta, sua deficiência é manifestada principalmente em folhas mais novas ou ocasionando morte das gemas terminais e até encurtamento de internódios. De acordo com Dechen et al. (2018), os sintomas de deficiência de boro podem incluir: 

  • Redução no crescimento e deformações nas zonas de crescimento;
  • Plantas com deficiência de B podem acumular compostos nitrogenados nas partes mais velhas;
  • Diminuição da superfície foliar, com folhas jovens pequenas e deformadas, espessas e quebradiças, podendo apresentar coloração verde mais intensa ou clorose;
  • Crescimento reduzido das raízes;
  • Abortamento floral;
  • Rachaduras em ramos, pecíolos e frutos;
  • Menor concentração de clorofila;
  • Menor resistência a doenças;
  • Diminuição de atividade das enzimas oxidantes (catalase, peroxidase e polifenoloxidase).

 Fagan et al. (2016), relatam que algumas dicotiledôneas com deficiência de boro (girassol, tomate, abóbora, alfafa) apresentam a inibição de crescimento de raiz e a degeneração de regiões meristemáticas e em outras dicotiledôneas (soja, ervilha e tremoço), é observada a degeneração dos pontos de crescimento. Já as monocotiledôneas como o milho, sorgo, milheto e cebola toleram a carência de B por mais tempo em relação às dicotiledôneas. Os mesmos autores ressaltam que as espécies de cereais de inverno e ervas (centeio, aveia e trigo) têm crescimento vegetativo normal e deficiência de boro mostra sintomas apenas durante a formação dos órgãos reprodutores. 

A exigência de boro no período reprodutivo é comum entre as culturas, como na cultura da soja, que exige o B para evitar abortamento de flores. No milho a deficiência de B no período reprodutivo pode resultar em espigas menores e apresentar falha na granação e no algodão, os frutos podem apresentar forma de gancho e necrose na base das maçãs (VILLAR, 2007).

Gruber et al. (2013) descreveram que o efeito da deficiência de boro reduziu o crescimento da parte aérea e induziu a produção de raízes laterais superficiais, com redução no crescimento da raiz principal.

Como suprir a necessidade de boro?

 “Mas como aplicar uma quantidade tão pequena de nutriente em uma área tão grande?”  – Para isso, existem adubos formulados (sólidos ou líquidos)

que contêm boro em sua composição e permitem que a adubação seja eficaz. A necessidade de boro pode ser suprida por adubação via solo ou foliar.

Via solo: o boro pode ser aplicado através de adubos orgânicos, através de adubos do tipo FTE, ou da maneira mais convencional para manejo de grandes áreas, junto aos grânulos dos fertilizantes NPK. Há também, registro de produtores aplicando as fontes boratadas como o Tetraborato de Sódio Pentahidratado – Bórax Penta e Ulexita de maneira isolada e obtendo bons resultados. Atenção: O B solúvel é encontrado nas camadas superficiais de solos bem drenados, ligados a matéria orgânica do solo (MOS), sendo assim, em períodos de seca a absorção pode ser dificultada e em condições de calagem excessiva reduzir a disponibilidade desse micronutriente (DECHEN et al., 2018).

  • Via foliar: a adubação de boro via foliar deve ser suplementar à adubação via solo, uma vez que as plantas jovens precisam de uma quantidade maior de B em relação às plantas mais velhas, no entanto as plantas jovens apresentam menor área foliar. Sendo assim, recomenda-se que a adubação foliar seja parcelada. Deve-se ter cautela na aplicação de fertilizantes líquidos, pois grande parte desses fertilizantes pode ser salino e causar queima das folhas. As principais fontes de boro solúveis indicados para a aplicação foliar são o Bórax e o Ácido Bórico com 11% e 17,5% de teor de boro, respectivamente. 

Abaixo, seguem tabelas com informações das formas comuns de fertilizantes contendo boro (tabela 1) e informações sobre a resposta de algumas culturas à aplicação de fertilizante contendo boro (tabela 2).

  • O boro é um micronutriente pouco móvel na planta, porém apresenta alta mobilidade no solo, portanto deve-se ter cuidado em regiões com alta pluviosidade ou excesso de irrigação para evitar a sua lixiviação. 
  • Para as aplicações de fertilizantes via foliar em mistura em tanque com outros produtos fitossanitários, é recomendado realizar o teste da garrafa previamente ao preparo da calda a fim de observar possíveis incompatibilidades físico-químicas.
  • Consulte sempre um Engenheiro Agrônomo.

Portanto, quando o assunto for investimentos assertivos para sua lavoura., com acesso a mapas da propriedade digitalizados e georreferenciados, a Geodata está pronta para te ajudar e aumentar ainda mais a rentabilidade do seu negócio.

Texto escrito por:

Laís Maria Bonadio Precipito
Engenheira Agrônoma e mestre em Agronomia pela UENP – FFALM. Doutoranda em Agronomia (Agricultura) pela UNESP-FCA.

Inscreva-se em nossa newsletter

Inscreva-se e entenda mais sobre Agricultura de Precisão e como ela vai prosperar o seu negócio.

Scroll Up